Macho adulto de 75 quilos foi batizado de Tape’ỹ e segue sob cuidados veterinários após ser resgatado no bairro Três Lagoas
A onça-pintada capturada na manhã de domingo (28), no bairro Três Lagoas, em Foz do Iguaçu, está em segurança no Hospital Veterinário do Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), da Itaipu Binacional. O animal, um macho adulto de aproximadamente 4 a 5 anos e 75 quilos, recebeu o nome de **Tape’ỹ**, palavra de origem tupi que significa **”aquele que perdeu o caminho”**.
Após o resgate, a equipe veterinária realizou exames clínicos completos, incluindo radiografias, coleta de sangue e de outros materiais biológicos, além do tratamento de um ferimento superficial nas costas.
Segundo a médica-veterinária da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu, Aline Luiza Konell, os exames de imagem não identificaram marcas de disparos ou qualquer outro ferimento grave que comprometesse a saúde do animal.
Destino da onça será definido após exames
Nos próximos dias, os resultados laboratoriais serão analisados para definir qual será o destino mais adequado para Tape’ỹ.
De acordo com a coordenadora do Projeto Onças do Iguaçu, Yara Barros, a decisão ficará sob responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que poderá definir o local de soltura e avaliar a necessidade de instalação de um colar de monitoramento.
“O animal está tranquilo, recuperando-se da anestesia e dos procedimentos realizados. Agora aguardamos os resultados para definir os próximos passos”, explicou.
Captura mobilizou operação conjunta
A captura da onça foi resultado de uma operação integrada envolvendo Itaipu Binacional, Projeto Onças do Iguaçu, Proyecto Yaguareté (Argentina), Polícia Ambiental, Polícia Militar e outras instituições.
O primeiro registro ocorreu no sábado (27), quando câmeras de segurança flagraram o animal caminhando por ruas do bairro Três Lagoas. Após a confirmação da presença da onça por meio de pegadas e rastros, equipes instalaram armadilhas fotográficas na área de mata da Faixa de Proteção do Reservatório de Itaipu para monitorar seus deslocamentos.
Na manhã seguinte, moradores registraram novamente a presença do felino próximo a residências e acionaram as equipes especializadas.
A área foi isolada para garantir a segurança da população e do próprio animal. A onça foi sedada por veterinários experientes e transportada em segurança para o Refúgio Biológico Bela Vista.
Ferimentos são superficiais
Segundo a médica-veterinária Patrícia Costa, do Projeto Onças do Iguaçu, os ferimentos observados nas costas provavelmente foram provocados durante as tentativas de fuga, quando o animal bateu contra portões e cercas.
Apesar disso, o estado de saúde é considerado bom. Também foram coletadas amostras para verificar a presença de possíveis doenças infecciosas transmitidas por animais domésticos.
Animal ainda não era conhecido pelos pesquisadores
Um dos aspectos que mais chamou a atenção da equipe técnica é que Tape’ỹ não corresponde a nenhuma das onças monitoradas atualmente pelo Projeto Onças do Iguaçu.
Ainda não é possível determinar de onde o animal veio nem o que motivou sua entrada na área urbana de Foz do Iguaçu.
Segundo a Itaipu, há mais de duas décadas não havia registro de uma onça-pintada circulando nas áreas protegidas e no entorno do reservatório. Para os pesquisadores, o aparecimento do felino também demonstra a importância da conservação das áreas florestais, que continuam permitindo o deslocamento da fauna silvestre.
Foto Alexandre Marchetti / Itaipu Binacional
Da Redação – Antena 1 Foz do Iguaçu


