A indefinição sobre as regras de circulação na Ponte da Integração Brasil-Paraguai acendeu o alerta máximo no setor de transporte rodoviário de cargas. Caminhoneiros ameaçam uma paralisação na fronteira caso a nova ligação entre Brasil e Paraguai não seja destinada exclusivamente ao tráfego de caminhões, ao menos até a conclusão das obras complementares no lado paraguaio.
O impasse ganhou força após reunião realizada nesta semana em Foz do Iguaçu, com a participação de sindicatos e entidades que atuam no transporte internacional na região de fronteira com Presidente Franco. Em pauta, os impactos da abertura da ponte e a falta de regulamentação clara para a operação do transporte transfronteiriço.
Um dos pontos mais críticos é a proposta em discussão no Paraguai que prevê a circulação de caminhões apenas no período noturno, entre 22h e 5h, liberando o restante do dia para veículos leves. Para o setor, a medida descaracteriza a função da ponte, projetada para aliviar o fluxo da Ponte Internacional da Amizade e ampliar a capacidade logística da região.
Transportadores alertam que o modelo pode agravar ainda mais os gargalos já existentes, com filas que se estendem por dias. Motoristas relatam condições precárias de espera, sem estrutura adequada para descanso, alimentação e higiene, cenário agravado pelo calor intenso típico da região trinacional.
Outro ponto de tensão envolve o transporte realizado por veículos de menor porte, os chamados “caminhõezinhos”. A Receita Federal do Brasil solicitou à Agência Nacional de Transportes Terrestres o adiamento da regulamentação dessa modalidade, inicialmente prevista para esta semana, para evitar uma paralisação imediata enquanto as regras são ajustadas.
Ficou estabelecido que o Paraguai tem prazo até 30 de abril para concluir a regulamentação. Após essa data, empresas e veículos fora das normas poderão ser impedidos de operar no transporte internacional.
Como saída emergencial, entidades defendem que a ponte opere das 7h às 19h exclusivamente para caminhões até a conclusão da ponte sobre o Rio Monday, no lado paraguaio. A proposta busca garantir fluidez e reduzir o tempo de espera nas filas.
Caso o uso compartilhado seja mantido, com circulação de carros, lideranças do setor admitem paralisação por tempo indeterminado. A medida, segundo eles, seria necessária para pressionar por melhores condições de trabalho e eficiência na logística entre os dois países.
A decisão final sobre o funcionamento da ponte segue em análise por uma comissão mista entre Brasil e Paraguai. Enquanto o impasse persiste, cresce o temor de impactos econômicos em uma das principais rotas comerciais da América do Sul.
Foto Sergio Fernandes
Assessoria


