Refúgio da Itaipu celebra nascimento de veado-bororó e anta ameaçados de extinção

O ano de 2026 começou com boas notícias para a conservação da fauna no Refúgio Biológico Bela Vista, em Foz do Iguaçu. Dois filhotes de espécies ameaçadas de extinção nasceram na última semana: um veado-bororó e uma anta, os primeiros registros do ano dentro do programa de conservação da Itaipu Binacional.

Batizados de Bambi e Jamelão, os filhotes representam mais do que um momento de encanto. Cada nascimento reforça os esforços de preservação e amplia as chances de sobrevivência dessas espécies no futuro.

No Refúgio, o acompanhamento começa ainda durante a gestação. Assim que a equipe identifica que uma fêmea está prenhe, ela é transferida para um espaço preparado especialmente para o parto, garantindo tranquilidade e segurança. Tanto a anta quanto o veado permaneceram em recintos adaptados até o nascimento dos filhotes.

Bambi nasceu no dia 12 de janeiro. Filho da fêmea Bambina com o macho Skol, ele é o veado-bororó de número 218 registrado no programa da Itaipu. Na última pesagem, o filhote apresentava quase um quilo e vem ganhando peso de forma adequada, indicando bom estado de saúde.

Por se tratar de uma espécie mais sensível e arisca, os cuidados com o veado-bororó são intensificados nos primeiros dias. A equipe monitora constantemente a amamentação, a locomoção e o desenvolvimento geral do filhote, pronta para agir caso algo saia do padrão esperado.

Segundo os veterinários, os primeiros dias de vida são os mais críticos, com riscos relacionados à alimentação, hidratação e temperatura corporal. Por isso, a observação é contínua. Logo após o nascimento, também é realizada a limpeza do umbigo, procedimento simples, mas essencial para prevenir infecções. Inicialmente, a alimentação é exclusiva do leite materno, com a introdução gradual de folhas, frutas — como banana — e ração nos meses seguintes.

Três dias depois, em 15 de janeiro, nasceu Jamelão, filhote da anta Mandioca com o macho Pepeu. Ele é a anta de número 36 registrada no Refúgio Biológico.

O nascimento marcou dois pontos importantes para o programa. Pepeu, o pai, será retirado da reprodução, já que sua genética já está bem representada entre os animais. Já a mãe, Mandioca, com menos de três anos, surpreendeu a equipe ao conseguir levar a gestação até o fim, algo considerado incomum para a idade.

A gestação das antas dura cerca de 13 meses e, normalmente, resulta no nascimento de apenas um filhote. Mesmo assim, o Refúgio vive um momento positivo, com outros nascimentos recentes e a expectativa de novos filhotes ao longo dos próximos meses.

Em 2025, o Refúgio Biológico da Itaipu registrou o nascimento de 65 animais de dez espécies diferentes. A previsão é que 2026 mantenha esse ritmo. Além da proteção em cativeiro, o trabalho também contribui para ações futuras, como o projeto de reintrodução de um casal de antas na Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Mais do que registros simbólicos, os nascimentos de Bambi e Jamelão reforçam a importância da conservação e mostram que o cuidado contínuo pode gerar resultados concretos para a preservação da biodiversidade.

 

 

 

 

Foto: Sara Cheida
Assessoria

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